Um bot WhatsApp que roda na API oficial trabalha dentro de um relógio: quando o cliente escreve primeiro, abre a janela de atendimento de 24 horas, e a empresa responde com qualquer tipo de mensagem sem pagar por envio. Quando a janela fecha, o bot só retoma o contato com um template aprovado — e aí cada mensagem entregue entra na fatura. Mensagens comuns de texto e imagem enviadas dentro da janela de atendimento aberta não são cobradas pela Meta, mas só podem ser enviadas enquanto essa janela estiver ativa. Entender essa combinação de janela, template e cobrança é o que separa uma automação estável de um número bloqueado.
A janela de 24 horas
A janela de atendimento é o período que começa quando o cliente manda a última mensagem para a empresa. Enquanto ela está aberta, o bot pode enviar textos, imagens, áudios, documentos, listas e botões interativos, tudo sem custo por mensagem. Esse é o modo de operação natural de um bot de atendimento: o cliente pergunta, o bot responde na hora e a conversa flui sem tarifas por resposta. O limite aparece quando o cliente para de responder. Passado esse intervalo, a API recusa mensagens comuns e o número da empresa fica mudo até que o cliente escreva de novo ou até a empresa enviar um template, segundo a documentação de preços da Plataforma WhatsApp Business. Por isso, bons fluxos de bot investem em manter o cliente engajado dentro da janela, com respostas rápidas e perguntas que convidem à continuação da conversa.
Quando o template é obrigatório
Template é um formato de mensagem que a Meta analisa e aprova antes do uso. Fora da janela, mensagens de template são o único tipo que a empresa consegue enviar quando a janela de atendimento está fechada. Existem três categorias: marketing, para ofertas e novidades; utilidade, para confirmações, agendamentos e avisos de entrega; e autenticação, para códigos de verificação. A categoria define o preço, que também varia conforme o código de país do número que recebe a mensagem. Um bot mal planejado que usa template de marketing para dar suporte paga mais caro por mensagem e ainda corre o risco de ter o template rejeitado na análise. A recomendação prática é reservar templates para contatos que o cliente espera receber, como confirmação de pedido e lembrete de agendamento, e deixar a conversa livre para o atendimento do dia a dia.
Cobrança por mensagem entregue
Desde julho de 2025, a Meta cobra por mensagem entregue, e não por tentativa: a empresa só paga o que chegou ao aparelho do cliente. Dentro da janela, as respostas do bot não geram cobrança. O mesmo vale para templates de utilidade enviados em resposta ao cliente dentro da janela. Há ainda um caso que muita gente desconhece: se o cliente entra por um ponto de entrada gratuito, como o botão de WhatsApp no site da empresa, todas as mensagens, incluindo templates, ficam gratuitas por 72 horas. Para quem calcula o custo do bot, a regra prática é simples: conversa iniciada pelo cliente tende a sair de graça; iniciativa da empresa fora da janela tende a custar por mensagem entregue.
| Situação da conversa | O que o bot pode enviar | Custo |
|---|---|---|
| Cliente escreveu e a janela está aberta | Texto, imagem, áudio, documento, lista e botões | Sem cobrança por mensagem |
| Janela fechada | Apenas templates aprovados | Cobrado por mensagem entregue |
| Cliente entrou por ponto de entrada gratuito | Qualquer mensagem, inclusive templates | Sem cobrança por 72 horas |
| Template de utilidade em resposta ao cliente, dentro da janela | Template aprovado | Sem cobrança |
Bot oficial x ferramentas não oficiais
Nada disso vale para quem automatiza com ferramentas que simulam o aplicativo. Os Termos de Serviço do WhatsApp proíbem mensagens em massa, envio automático e discagem automática, além de qualquer uso não pessoal do serviço sem autorização. A própria empresa afirma que seus produtos não foram feitos para mensagens em massa ou automatizadas, prática que sempre violou os termos, e relata banir milhões de contas por abuso. Ferramentas não oficiais podem funcionar por semanas, mas expõem o número principal da empresa a bloqueio sem aviso. Para separar o que é permitido do que é arriscado, vale conferir o que um bot pode e não pode fazer e as regras oficiais para usar bot sem bloqueio.
Primeiros passos na Cloud API
Quem decide construir sobre a via oficial começa com número de teste gratuito e sandbox antes de migrar para o número definitivo, com acesso a exemplos de código e webhooks na central do desenvolvedor do WhatsApp Business. O caminho básico tem cinco etapas:
- Criar um aplicativo no painel da Meta com o caso de uso de WhatsApp.
- Conectar o aplicativo a uma conta WhatsApp Business, nova ou existente.
- Usar o número de teste para enviar e receber as primeiras mensagens.
- Configurar o webhook para receber, na sua aplicação, as mensagens e os status de entrega.
- Gerar um token de sistema permanente e trocar o número de teste pelo número da empresa.
Depois disso, o bot passa a responder dentro da janela do cliente, usar templates quando precisar iniciar contato e acompanhar cada entrega pelo webhook — a base para medir o custo real por conversa e evitar surpresas na fatura.